Batuque na Cozinha

Sempre perto do samba.

O restaurante Sobrenatural nasceu em Irajá, onde era chamado de Bar Zona Norte. Amante do samba e habituée dos encontros na Portela, Sérvula Amado, a proprietária, é amiga de diversos sambistas e muitos deles frequentavam o Bar, como Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila.

As rodas de samba que aconteciam por lá eram animadíssimas. Moradores da Zona Sul também frequentavam as festas: o ônibus da linha Praça XV-Cordovil os levava até Irajá.

Em 1989, o proprietário pediu o imóvel e Sérvula começou a procurar um novo lugar. Encontrou, em Santa Teresa. Era um espaço que servia comida natural durante o dia e, à noite, ele seria seu. Por isso o nome: Sobrenatural. Com um mês de funcionamento, a casa já lotava todas as noites. As rodas de samba e os petiscos da Sérvula eram um sucesso. E ninguém parecia se importar com as condições precárias do local; o Sobrenatural esteve sempre na iminência de ir abaixo. Já se havia criado o bordão "É hoje que vai cair!". Um dia, um tijolo caiu na cabeça da Beth Carvalho. De verdade.

Sérvula sempre amou cozinhar, e frequentar a cozinha da Portela, com a Tia Vicentina no comando, só potencializou esse amor. Cozinheira de mão cheia, era a ilustre senhora portelense quem preparava a famosa (e deliciosa) feijoada da Escola, que virou até letra de um samba do Paulinho da Viola.

As rodas do Sobrenatural viraram referência carioca. Mas, em 1999, a prefeitura suspendeu o samba à noite, por "tirar a paz e o sossego da vizinhança". Depois disso, o Sobrenatural passou a servir almoços e fechar cedo. O cardápio, com pratos apetitosos, é à base de frutos de mar, paixão culinária de Sérvula.

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